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4 de setembro de 2026
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Vorcaro afirma que doações a Tarcísio e Bolsonaro tiveram relação com suposta propina

Pedro Ladeira/Folhapress

O ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, afirmou à Polícia Federal que as doações de R$ 2 milhões para a campanha de Tarcísio de Freitas e de R$ 3 milhões para Jair Bolsonaro. Ambas ocorreram em 2022, e possuem relação com uma suposta negociação de propina.

As declarações constam na proposta de delação apresentada pelo ex-banqueiro, posteriormente rejeitada pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Os valores foram oficialmente repassados em nome de Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e investigado na Operação Compliance Zero.

Segundo Vorcaro, os pagamentos fariam parte de um acordo para garantir a continuidade das operações do Credcesta, produto ligado ao Banco Master, no governo de São Paulo. Ele atribuiu as negociações ao grupo político ligado ao então secretário de Governo, Gilberto Kassab.

Na versão apresentada pelo ex-banqueiro, além das doações eleitorais, houve pagamento de outros R$ 10 milhões em dinheiro vivo. A verba destinou-se a pessoas que, segundo ele, possuíam ligação com Kassab. Todavia, Vorcaro afirmou que o objetivo era manter contratos de crédito consignado com servidores públicos paulistas.

Ainda de acordo com o relato, o grupo político garantiu a continuidade da operação exclusiva do Credcesta por mais de um ano. O mercado só teve abertura a outras instituições em dezembro de 2024.

Tarcísio nega irregularidades

Tarcísio de Freitas negou qualquer envolvimento com as supostas negociações. Em nota, afirmou que não tinha relação com o doador nem conhecimento de eventuais condutas praticadas fora da campanha. Além disso, ele destacou que sua prestação de contas teve aprovação da Justiça Eleitoral.

O governador também declarou que o credenciamento da empresa responsável pelo Credcesta ocorreu em maio de 2022, ainda durante a gestão anterior, e que a habilitação não representava contrato ou repasse de dinheiro público.

Kassab chama relato de fantasioso

Gilberto Kassab também negou as acusações. O presidente do PSD classificou as declarações de Vorcaro como “fantasiosas” e afirmou que nunca tratou de doações ou do Credcesta com o ex-banqueiro.

Kassab disse ainda que nunca recebeu valores em espécie de Vorcaro, Augusto Lima ou Thiago Botelho e afirmou que o relato apresentado na proposta de delação não possui sustentação factual.

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