O Banco Central reduziu novamente a taxa básica de juros da economia. Em decisão unânime, o Comitê de Política Monetária (Copom) cortou a Selic em 0,25 ponto percentual, levando a taxa para 13,75% ao ano.
Este foi o quinto corte consecutivo nos juros. A decisão já era esperada pelo mercado financeiro e ocorre em um cenário de desaceleração da inflação, mas com incertezas relacionadas à guerra no Oriente Médio e aos efeitos do fenômeno climático El Niño.
Em comunicado, o Copom destacou que o ambiente externo permanece incerto devido aos conflitos armados e às dúvidas sobre a condução da política monetária em economias desenvolvidas. Segundo o órgão, o cenário exige cautela diante da maior volatilidade nos preços de ativos e commodities.
A Selic permaneceu em 15% ao ano entre junho de 2025 e março de 2026, chegando ao maior patamar em quase duas décadas. Os cortes foram retomados em abril, acompanhando o processo de desaceleração da inflação.
Inflação segue no radar
A Selic é o principal instrumento utilizado pelo Banco Central para controlar a inflação, medida pelo IPCA. Em agosto, o índice registrou deflação de 0,32%, enquanto a inflação acumulada em 12 meses caiu de 4,44% para 4,22%.
Os alimentos também contribuíram para o resultado, com queda de 0,34% no mês. Apesar disso, o El Niño pode pressionar os preços dos alimentos nos próximos meses, criando um novo desafio para a política monetária.
Desde janeiro de 2025, o país utiliza o sistema de meta contínua de inflação, com objetivo de 3% e intervalo de tolerância entre 1,5% e 4,5%.
As projeções do mercado indicam que o IPCA deverá encerrar 2026 em 4,9%, acima do teto da meta.
O Banco Central também avalia que a atividade econômica apresenta uma desaceleração gradual, principalmente nos setores mais sensíveis aos juros. Ao mesmo tempo, o mercado de trabalho permanece aquecido.
Juros menores podem baratear crédito
A redução da Selic tende a diminuir o custo do crédito e pode estimular o consumo e os investimentos. Por outro lado, juros mais baixos também reduzem o estímulo à poupança e podem dificultar o controle da inflação caso a demanda aumente.
Para 2026, o Banco Central projeta crescimento de 2% para o Produto Interno Bruto (PIB). Já o mercado financeiro estima uma expansão de 1,89%, segundo o boletim Focus.
A Selic também serve como referência para outras taxas de juros da economia. Quando a taxa sobe, o crédito tende a ficar mais caro e o consumo é desestimulado. Com a redução, ocorre o movimento contrário, favorecendo o acesso a financiamentos e estimulando a atividade econômica.
O Copom, porém, precisa considerar os possíveis impactos da queda dos juros sobre a inflação antes de definir os próximos passos da política monetária.
