A dívida pública bruta dos Estados Unidos ultrapassou, pela primeira vez, a marca de US$ 40 trilhões nesta quarta-feira (19). O novo patamar evidencia a crescente pressão sobre as contas do governo americano e contrasta com a promessa do presidente Donald Trump de reduzir o déficit e controlar os gastos públicos.
Os Estados Unidos devem tomar mais de US$ 2 trilhões em novos empréstimos somente neste ano. Aproximadamente metade do déficit está relacionada aos juros pagos aos investidores que possuem títulos do Tesouro. Consequentemente, isso fez com que o próprio custo da dívida contribua para ampliar o endividamento.
Segundo o The New York Times, o aumento da dívida resulta de políticas adotadas por governos republicanos e democratas ao longo de décadas. Entre os principais gastos estão despesas militares, programas sociais como Previdência Social, Medicare e Medicaid, além de medidas de estímulo econômico e custos de funcionamento do governo.
Além disso, a trajetória fiscal também preocupa o governo Trump. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, havia estabelecido a meta de reduzir o déficit de mais de 6% do PIB para 3% até 2028. Na semana passada, porém, ele reconheceu que as contas públicas apresentam uma piora neste ano.
Gastos com guerra
Entre os fatores estão os gastos militares relacionados à guerra no Irã, os reembolsos de tarifas e o aumento dos preços de energia. Ao mesmo tempo, os cortes de impostos aprovados em 2025 também pressionarão o orçamento. Uma das medidas permite que empresas descontem imediatamente investimentos na construção de fábricas e na compra de equipamentos, com impacto estimado em cerca de US$ 100 bilhões somente neste ano.
Outra aposta do governo foi o Departamento de Eficiência Governamental (DOGE), inicialmente comandado por Elon Musk. A iniciativa tinha como objetivo economizar US$ 1 trilhão, mas o governo afirma ter alcançado pouco mais de US$ 200 bilhões. O Government Accountability Office (GAO), contudo, questionou a confiabilidade e a transparência dessas estimativas.
As tarifas sobre produtos importados também foram utilizadas como estratégia para aumentar a arrecadação. Entretanto, parte da política sofreu um revés após a Suprema Corte considerar ilegais algumas tarifas, o que poderá obrigar o governo a devolver mais de US$ 160 bilhões às empresas afetadas.
Juros elevam pressão sobre a dívida
O crescimento do endividamento também começa a repercutir no mercado financeiro. O rendimento dos títulos do Tesouro americano de 30 anos atingiu nesta semana o maior nível em quase duas décadas.
Na prática, taxas mais elevadas obrigam o governo a pagar mais para financiar sua dívida e podem aumentar também o custo de crédito para empresas e consumidores.
Diante desse cenário, o Departamento do Tesouro anunciou que pretende dobrar o volume de títulos próprios que pode recomprar dos investidores, em uma tentativa de reduzir os custos de financiamento.
Apesar da pressão, os títulos do Tesouro continuam ocupando posição central no sistema financeiro mundial devido à grande liquidez desse mercado. O Federal Reserve, por sua vez, mantém cerca de US$ 6,8 trilhões em títulos públicos e ativos lastreados em hipotecas.
