Destaques
Flávio Bolsonaro faz primeira aparição pública nos EUA após deixar o Brasil
A chegada ocorreu depois de uma viagem que começou na fronteira entre Brasil e Argentina, na noite de terça-feira (27). De acordo com informações divulgadas pela imprensa, Flávio atravessou a Ponte Internacional Tancredo Neves, que liga Foz do Iguaçu (PR) a Puerto Iguazú, acompanhado da mulher e das duas filhas. Em seguida, embarcou em um jato particular, fez uma escala em Guayaquil, no Equador, e seguiu para os Estados Unidos.
A viagem aconteceu um dia depois de o senador afirmar que entregaria seus passaportes à Polícia Federal (PF) e que não pretendia deixar o país. O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), havia determinado a entrega dos documentos no âmbito de uma investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo Flávio e o advogado Willer Tomaz.
Senador é investigado em duas frentes
Flávio Bolsonaro é alvo de investigações que apuram possíveis irregularidades no financiamento do filme Dark Horse. A produção diz respeito a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
No caso do filme, a Polícia Federal investiga negociações entre o senador e Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, para levantar recursos destinados à produção. Segundo a apuração, as tratativas envolveram R$ 134 milhões, dos quais, em pelo menos seis operações realizadas em 2025, houve a transferência de R$ 61 milhões.
Parte do dinheiro destinou-se a um fundo no Texas, nos Estados Unidos, ligado a aliados da família Bolsonaro. Uma das hipóteses investigadas é que houve utilização dos recursos para custear despesas de Eduardo Bolsonaro, irmão do senador, que vive nos Estados Unidos.
Investigação também envolve empresas de Willer Tomaz
Em outra frente, a PF apura uma possível ligação de Flávio com um esquema de lavagem de dinheiro que envolveria empresas do advogado Willer Tomaz e casas de apostas.
A análise de dados telemáticos autorizada pela Justiça identificou que o senador aparecia como “usuário master” de uma conta bancária da Alcazar Holdings, empresa pertencente a Tomaz. Segundo relatório policial, essa condição poderia permitir acesso e gerenciamento da conta.
Os investigadores também localizaram um e-mail de 22 de maio de 2025 no qual Tomaz teria solicitado a retirada do acesso de Flávio. Para a PF, o registro indica que o senador permanecia vinculado à conta, ao menos operacionalmente, até aquela data.
A investigação ainda identificou viagens do parlamentar custeadas por empresas ligadas ao advogado e registros de encontros entre os dois. Flávio e Tomaz confirmam a amizade, mas negam sociedade ou envolvimento em irregularidades.
Caso no STF
A investigação envolvendo Flávio está no Supremo Tribunal Federal desde 8 de outubro, em razão do foro especial do senador. O ministro Alexandre de Moraes é o relator do caso.
Willer Tomaz também é alvo de investigação em outra apuração da Polícia Federal, que envolve o senador Weverton Rocha (PDT-MA) e familiares dele. Em agosto, o advogado sofreu um mandado de busca e apreensão por suspeitas de movimentações financeiras e patrimoniais que poderiam ter sido utilizadas para ocultar recursos relacionados ao parlamentar.
