Um princípio de tumulto registrado neste sábado (27), durante o embarque da lancha Glória de Deus IV, no porto de Jutaí, no interior do Amazonas, ganhou novos esclarecimentos. Na ocasião, uma funcionária da embarcação disse que foi provocada por uma falha de comunicação envolvendo a venda da passagem de uma paciente acamada.
Inicialmente, familiares relataram que a paciente, mesmo com a passagem emitida, teve o embarque recusado. Consequentemente, isso gerou revolta entre as pessoas que acompanhavam a situação no porto. Além disso, vídeos gravados no local mostram discussões, empurra-empurra e um gesto obsceno feito por uma mulher ligada à embarcação, que acabou sendo alvo de críticas nas redes sociais.
Em entrevista concedida após o episódio, a funcionária explicou que a embarcação que saiu de Tabatinga com sua capacidade praticamente esgotada e transportava. Além disso, ela relatou, inclusive, que haviam três pacientes acamados.
Segundo ela, a vendedora responsável pela comercialização da passagem em Jutaí não informou previamente à tripulação que havia outra paciente que precisaria viajar em condições especiais.
“A vendedora não comunicou à embarcação que teria um paciente acamado. A lancha já estava lotada desde a saída de Tabatinga. Quando chegamos ao porto, fui conversar com a família e expliquei que infelizmente não havia condições de transportar mais uma paciente”, afirmou.
A funcionária relatou também ainda tentou explicar a situação aos familiares. Todavia, eles a ofenderam verbalmente e, segundo sua versão, e sofreu tentativas de agressão.
“Fui chamada de vagabunda, de maldita e ainda tentaram me agredir três vezes. Eu só estava fazendo meu trabalho. A embarcação saiu com 83 passageiros. Colocar mais uma pessoa seria colocar em risco a vida de todos”, declarou.
Pedido de desculpas
Ela também pediu desculpas pelo gesto obsceno registrado em vídeo, afirmando que perdeu o controle emocional diante das ofensas recebidas.
“Peço desculpas. Eu jamais deixaria de transportar qualquer paciente por vontade própria. O problema foi que não havia espaço. Não tem como levar uma pessoa nessas condições sem estrutura adequada”, disse.
Falha na comunicação
De acordo com a funcionária, o erro ocorreu porque a responsável pela venda da passagem não entrou em contato com a tripulação para informar sobre a necessidade de acomodação especial da paciente.
“Existe comunicação entre a venda e a embarcação, mas, dessa vez, a vendedora não avisou. Ela vendeu a passagem sem consultar a disponibilidade e isso acabou gerando toda essa situação”, explicou.
O caso repercutiu nas redes sociais e dividiu opiniões. Enquanto algumas pessoas criticaram a postura da funcionária durante a discussão, outras defenderam que a embarcação precisava respeitar o limite de passageiros para garantir a segurança da viagem.
Até o momento, a empresa responsável pela lancha Glória de Deus IV não divulgou uma nota oficial sobre o ocorrido.
