33.3 C
Manaus
5 de outubro de 2026
BrasilDestaques

Entenda medida provisória e projeto que proíbem bets no Brasil

Governo determina o fim das bets no Brasil e estabelece prazos para retirada e devolução dos valores aos apostadores.

Governo determina fim das bets no Brasil e define prazo para devolução de valores

Sob o argumento de proteger a saúde pública, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou, nesta sexta-feira (25), uma medida provisória (MP) que determina o fim da exploração, oferta, intermediação e publicidade das chamadas bets no Brasil.

A decisão alcança tanto as apostas esportivas quanto os jogos online. Além disso, a medida vale para operações em ambientes físicos e virtuais. O texto também atinge autorizações concedidas por estados e pelo Distrito Federal.

No entanto, a MP não interfere em outras modalidades de loteria autorizadas por lei.

O que muda com a medida?

Com a publicação da MP, as empresas que atuavam legalmente no país deixam de oferecer apostas ou divulgar a atividade.

Além disso, o governo estabeleceu um calendário para encerrar as plataformas e devolver os valores que permanecerem nas contas dos apostadores.

As principais datas são:

  • 25 de setembro: publicação da MP e início da proibição de novos aportes;
  • 5 de outubro, às 23h59: termina o prazo para retirada voluntária dos valores;
  • 6 de outubro: sites e aplicativos de apostas deverão sair do ar;
  • 7 e 8 de outubro: empresas deverão informar aos bancos os saldos restantes, separados por CPF;
  • 9 a 14 de outubro: instituições financeiras deverão devolver os valores aos apostadores;
  • A partir de 14 de outubro: caso exista algum impedimento para a devolução, a Caixa Econômica Federal receberá os recursos e fará os pagamentos.

Dessa forma, os apostadores precisam acompanhar os prazos para evitar problemas durante o processo de retirada.

Como fica a publicidade das bets?

As empresas também terão de retirar anúncios e materiais de patrocínio relacionados às apostas.

Nesse caso, o prazo para retirada voluntária termina em 5 de outubro. A regra inclui publicidade veiculada em espaços físicos e também peças divulgadas no exterior.

Além disso, a partir da publicação da MP, as empresas não poderão iniciar novas ações de divulgação das bets.

Empresas terão direito a indenização?

Segundo o governo, a extinção das autorizações ocorre por motivo de interesse público.

Por esse motivo, a MP determina que as empresas não terão direito a indenização por:

  • lucros cessantes;
  • investimentos realizados;
  • expectativa de continuidade da atividade;
  • devolução total ou parcial dos valores pagos pelas outorgas.

Até o momento, o governo concedeu 85 outorgas para exploração de apostas de quota fixa. Cada autorização custou R$ 30 milhões.

Assim, as empresas pagaram aproximadamente R$ 2,55 bilhões no processo de concessão.

Quais serão as punições para quem descumprir?

A MP prevê sanções administrativas para pessoas físicas e jurídicas que desrespeitarem as novas regras.

Entre as punições previstas estão:

  • advertência;
  • multas de até R$ 2 bilhões;
  • suspensão parcial das atividades;
  • suspensão total das atividades para empresas.

Portanto, o descumprimento das regras poderá gerar consequências financeiras e administrativas significativas.

Projeto prevê novos crimes relacionados às bets

Além da medida provisória, o governo pretende enviar ao Congresso Nacional um projeto de lei para criar crimes específicos relacionados às apostas de quota fixa.

Entretanto, a proposta ainda precisará passar pela análise dos deputados e senadores antes de entrar em vigor.

O texto prevê cinco condutas que poderão ser consideradas crimes:

  • Explorar apostas de quota fixa: pena de 4 a 6 anos de reclusão;
  • Divulgar apostas ou captar apostadores: pena de 2 a 4 anos e multa;
  • Usar dados pessoais para captar apostadores: pena de 2 a 4 anos e multa, com possibilidade de aumento em situações específicas;
  • Facilitar financeiramente a exploração: pena de 2 a 4 anos e multa;
  • Fornecer aplicação de internet para apostas: pena de 2 a 4 anos e multa, com agravantes em determinadas situações.

Além disso, o projeto prevê aumento de pena quando houver uso de dados de saúde, histórico de apostas ou informações de crianças e adolescentes.

A proposta também considera situações em que mecanismos de verificação de idade ou localização sejam burlados.

Como será feita a fiscalização?

O governo afirma que pretende intensificar o combate ao mercado ilegal após o encerramento das plataformas autorizadas.

Para isso, os ministérios da Fazenda e da Justiça deverão atuar no bloqueio de sites irregulares.

Entre as medidas previstas estão:

  • bloqueio de domínios;
  • remoção de aplicativos;
  • restrição dos meios de pagamento;
  • bloqueio de contas utilizadas ilegalmente;
  • rastreamento dos recursos movimentados pelas plataformas.

Atualmente, a Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), do Ministério da Fazenda, utiliza mecanismos para monitorar o mercado ilegal.

Além disso, a MP cria um Comitê Institucional de Fiscalização e Combate à Exploração Ilegal de Apostas, coordenado pela Casa Civil.

Por que o governo decidiu encerrar as bets?

O governo aponta a saúde pública e os impactos financeiros das apostas como algumas das principais justificativas para a medida.

Segundo os dados apresentados pelo Executivo, o transtorno relacionado ao jogo pode estar associado a problemas como ansiedade, depressão, alterações no sono e no humor, conflitos familiares e prejuízos financeiros.

Além disso, o governo cita o aumento da demanda do Sistema Único de Saúde (SUS) relacionada a problemas com apostas.

Entre 2018 e 2025, os atendimentos relacionados a jogo patológico e problemas com apostas cresceram cerca de 140%, segundo os dados divulgados pelo governo.

Ainda conforme a projeção apresentada pelo Executivo, a demanda poderia crescer outros 104% até 2028 caso nenhuma medida fosse adotada.

O governo também citou um estudo do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde. A pesquisa estima em R$ 38,8 bilhões por ano o custo social associado aos jogos.

Desse total, R$ 30,6 bilhões, ou quase 79%, estariam relacionados à saúde. O cálculo inclui fatores como suicídios, perda de qualidade de vida associada à depressão e tratamentos médicos.

O que os apostadores devem fazer?

Neste momento, os apostadores precisam acompanhar o calendário definido pela MP.

Quem possui dinheiro nas plataformas terá até 5 de outubro, às 23h59, para solicitar voluntariamente a retirada dos valores.

Depois desse prazo, as instituições financeiras começarão o processo de identificação e devolução dos saldos restantes.

Além disso, o governo mantém uma plataforma de autoexclusão para restringir o acesso às casas de apostas autorizadas. A ferramenta foi criada antes da decisão de encerramento do mercado.

O que acontece agora?

A medida provisória produz efeitos imediatos após a publicação. No entanto, o processo legislativo ainda continuará no Congresso Nacional.

Agora, o Parlamento terá até 120 dias para analisar e votar o texto.

Paralelamente, o projeto que pretende criar os cinco crimes relacionados às bets também dependerá da análise dos deputados e senadores.

Assim, os próximos passos dependerão da tramitação das propostas no Congresso e da regulamentação das medidas previstas pelo governo.

Leia mais

Novas partes de ossada humana são encontradas perto da Feira da Banana

Matheus Valadares

Vídeo mostra criança sendo atropelada na Avenida das Torres

Matheus Valadares

Caminhão derruba poste com transformador e interdita rua em Petrópolis

Matheus Valadares

Ao continuar navegando, você concorda com as condições previstas na nossa Política de Privacidade. Aceitar Leia mais